Quem não se lembra da fraude que ocorreu nos leites Chineses adulterados com Melamina que matou muitas crianças inocentes?

Fraude é coisa séria e preocupante!

Como consumidora eu sempre me pergunto se o que estou comendo é realmente aquilo que o rótulo está dizendo…
Como consultora na área de Segurança de Alimentos preciso orientar as empresas a fazer o certo…e acreditem, tem muita coisa errada por aí…

Nas minhas várias andanças pelas indústrias já vi de tudo um pouco…Tem empresa que faz além do necessário para garantir a segurança do seu produto e tem empresa que não faz o mínimo.

Já presenciei leite sendo adulterado, alimentos que não respeitam a quantidade de nutrientes divulgada no rótulo…enfim…sabe aquela sensação de comprar gato por lebre?

Muitas vezes me sinto assim.

As indústrias hoje que são certificadas ou buscam uma certificação aprovada pelo GFSI (GLOBAL FOOD SAFETY INITIATIVE), precisam implantar o programa de Controle de Fraudes. Nesse caso é necessário que a equipe de segurança de alimentos avalie todas as condições do produto e todas as chances possíveis deste produto sofrer qualquer tipo de adulteração.

Fraude é uma ação intencional realizada de modo a falsificar o produto que está sendo produzido. Claro que o grande motivo para isso é o desejo de ganhar mais…Um verdadeiro absurdo!

Mas também pode ocorrer uma fraude a partir de uma ação indevida de algum colaborador insatisfeito com a empresa. Eu já presenciei um fato bastante inusitado. Uma funcionária revoltada com a direção da empresa, colocou um absorvente dentro da embalagem final do produto (embalagem secundária). Claro que esse fato rendeu muita confusão. Veja a que ponto as pessoas podem chegar?

Em alguns casos, a adulteração pode prejudicar sua saúde…como já vimos acontecer tantas vezes com o leite…quem não se lembra do leite contaminado com água oxigenada?

Outras vezes a fraude não traz danos a saúde, mas também acaba com os benefícios que o produto promete. Isso é muito comum acontecer com azeite de oliva extra virgem. Algumas empresas misturam o azeite com qualquer óleo vegetal, fazendo com que os benefícios do azeite de oliva original fiquem diminuídos ou até inexistentes…

E o valor do produto é bem alto…Estamos sendo enganados…Isso é muito triste!

Hoje quero deixar um recado para os profissionais que atuam com segurança de alimentos.

Independente se sua empresa exporta ou não, se tem certificação ou não…comece desde já a implantar um programa de controle de fraudes.

Comece fazendo uma avaliação simples. Levante esses questionamentos que vou passar a seguir em uma reunião e faça os registros de todas as conclusões que tiraram a respeito dessa análise:

  1. Você considera que as matérias-primas que utiliza são fáceis de sofrerem alterações? Pense em casos já relatados pela mídia…considere também se você utiliza pós. Misturas sólidas são mais fáceis de serem adulteradas.
  2. Como você avalia suas matérias-primas? Você solicita algum laudo para o fornecedor? Ou realiza análises internamente para comprovar a qualidade da sua M.P?
  3. Você confirma os nutrientes que divulga no rótulo do seu produto final?
  4. Já ouviu falar de fraudes que ocorreram com matérias-primas e produtos similares aos que são produzidos na sua empresa?
  5. Se pensarmos na questão financeira, tem alguma matéria-prima que interfere significativamente no valor final, por ter algum componente com um princípio ativo importante? Esse é um ponto que já deve ser motivo de atenção. Talvez esteja na hora de comprovar a qualidade do produto que está vendendo, não é mesmo?
  6. Os colaboradores da sua empresa trabalham motivados ou há um clima de confronto interno entre colaboradores e direção?

Depois de pensar em tudo isso e registrar as respostas, faça uma análise juntamente com a equipe da qualidade e proponha controles e ações de melhorias na sua empresa.

Evite fraudes…garanta a saúde do seu consumidor…Preserve seu produto!

FRAUDE É CRIME:

Veja o que diz o código Penal Brasileiro sobre adulteração

”Dos crimes contra a saúde publica”, no artigo 272, “Corromper, adulterar, falsificar, ou alterar substancias de produtos alimentícios destinados ao consumo, tornando-o nocivo á saúde ou reduzindo-lhe o valor nutritivo”.


Samira Luana de Paula
Samira Luana de Paula

Fundadora da Lifequaly, uma empresa de consultoria em Gestão da Segurança de Alimentos para as Indústrias. Já atendeu mais de 50 empresas na implantação de normas e preparação para auditorias de certificação. Possui diversos cursos online para atender os profissionais que atuam na área da qualidade e industrial.