Em se tratando de APPCC, não é difícil acontecer aquelas NÃO CONFORMIDADES em auditorias, mesmo depois de tanto esforço e dedicação para seu APPCC ficar redondinho não é mesmo?

Tenho acompanhado diversas não conformidades emauditorias envolvendo a etapa mais crucial do plano, que é a identificação dos perigos.

Claro que a escolha dos perigos que serão controlados deve ser feita pela equipe de segurança de alimentos. Mas isso não significa que o que a equipe decidiu é lei e pronto. Um auditor pode sim questionar o porquê de certo perigo não ter sido considerado.

Afinal, em uma auditoria, uma das tarefas dos auditores é constatar qualquer falha que leve a um problema para a saúde do consumidor.

E muitas vezes, essa falha acontece justamente no momento de se identificar os perigos, quando a equipe negligencia certos problemas e passa a desconsiderá-los.

É dever da equipe de segurança de alimentos, identificar todos os problemas existentes, nesse caso, os perigos.

Por isso, hoje, em especial, quero falar sobre o nonovírus. Um perigo biológico que vem sendo responsável por inúmeros surtos relacionados a alimentos todo ano.

Você sabia que a cada ano há 685 milhões de casos de nonovírus no mundo todo?

E a principal causa dos problemas relacionados a nonovírus é o consumo de alimentos contaminados.

As medidas preventivas de controle estão todas relacionadas as boas práticas de fabricação. Muitos controles já são bem conhecidos de todos nós que atuamos na área, mas parece que quanto mais conhecido, menos controlado está.

A lavagem das mãos, por exemplo, é fator importantíssimo na prevenção do problema.

Quando a pessoa está infectada, basta um único toque das mãos no alimento, nas superfícies de contato ou em algum equipamento, para o nonovírus se espalhar.

Os alimentos mais susceptíveis a surtos de nonovírus são: ostras, frutas e legumes. Mas isso não diminui a chance do problema ocorrer com qualquer outro alimento, seja ele cru ou cozido.

E como estamos falando em higiene a única arma que temos é a orientação que passamos para as pessoas. E aqui entram as suas estratégias para disseminar a cultura da segurança de alimentos na empresa que trabalha.

Li em uma matéria do Food Safety News, que um grande responsável pela contaminação são os celulares.

Nessa era onde não se vive mais sem esse aparelho, fica difícil ficar longe dele durante uma manhã ou tarde inteira de trabalho.

Algumas indústrias permitem o uso de celular, outras não. Mas naquelas onde não é permitido, os funcionários levam escondido mesmo assim.

Se pensarmos em segurança de alimentos o problema é bem grande. De acordo com a matéria do Food Safety News, 1 em cada 6 celulares estão contaminados com bactérias. Isso acontece, porque quando as pessoas vão ao banheiro, acabam levando o celular, e muitas vezes os deixam no chão ou qualquer superfície suja enquanto usam o sanitário.

Depois disso, mesmo que você lave as mãos antes de sair do banheiro, o seu celular com certeza não será lavado, e quando o aparelho seguir para a área de manuseio de alimentos, levará consigo a contaminação.

No caso do nonovírus, poucas partículas do mesmo são necessárias para contaminar uma pessoa saudável…então, imagine só o problemão!

Por isso, prevenir o nonovírus só é possível através de higiene adequada.

Sabonete anti séptico e método de secagem das mãos adequados também são importantes para garantir uma higiene eficaz.

O nonovírus pode levar a uma desidratação grave, desnutrição e até mesmo a morte, no caso de crianças, idosos e imunocomprometidos.

Outra estratégia é afastar do trabalho os colaboradores que foram infectados com o vírus. Mas essa medida não é suficiente, já que o nonovírus é espalhado mesmo antes da pessoa infectada apresentar os sintomas, ou seja, saber que tem a doença.

Teoricamente o nonovírus é controlado pelas Boas Práticas de Fabricação. Então, nem precisaria ser tratado em um plano APPCC. Mas para isso ser verdadeiro, os seus programas de pré requisito devem funcionar redondinhos. O que sabemos que dificilmente acontece.

Por isso a dica que tenho pra você é: Se na sua empresa há pontos de contato manual com os alimentos, considere o risco de acontecer uma contaminação por nonovírus. Identifique o nonovírus como um perigo biológico, pois esse problema vem crescendo grandemente.

Considerar o nonovírus na sua análise de perigos, ajuda  você a melhorar os controles e medidas preventivas que tem feito na sua empresa. E tenho que reforçar que essa é a grande sacada quando você implanta o APPCC.

O que eu quero dizer é que quando você faz uma análise de perigos mais completa, isso te obriga a validar as medidas preventivas de controle estabelecidas. E nesse momento você terá a chance de rever os controles, intensificar e melhorar.

Muitas vezes, algumas regras, novas orientações e cuidados são essenciais.

Comece hoje a rever sua análise de perigos e considere desde já o nonovírus como um perigo biológico na sua empresa.


Samira Luana de Paula
Samira Luana de Paula

Fundadora da Lifequaly, uma empresa de consultoria em Gestão da Segurança de Alimentos para as Indústrias. Já atendeu mais de 50 empresas na implantação de normas e preparação para auditorias de certificação. Possui diversos cursos online para atender os profissionais que atuam na área da qualidade e industrial.