Quem atua na área de controle de qualidade na indústria de alimentos sabe que são tantos gerenciamentos para fazer todos os dias, que se você não tiver um mínimo de organização poderá se perder em tantos controles e monitoramentos.

Quero ajudar você a conduzir as atividades da área da qualidade e segurança de alimentos de forma mais segura e eficaz. E para isso, vou falar sobre um dos itens a ser controlado: as análises laboratoriais. 

Mas antes disso preciso reforçar que ter um sistema mais organizado e controlado permitirá que os responsáveis pela área da gestão da qualidade mantenham seus programas implantados, evitando problemas com órgãos de fiscalização ou certificadoras.

Além disso, dará mais confiança às lideranças e aos diretores, fazendo com que os sistemas de gestão sejam vistos de forma positiva para a empresa.

Todo esse cenário só contribuirá para o crescimento da empresa, conquista de novos mercados e a garantia de produtos seguros ao consumidor final, que será o mais beneficiado com todo esse esforço.

O problema é que a falta de controle é um fato que faz parte da rotina da maioria das empresas.

Isso acontece porque são muitas tarefas para se monitorar no dia a dia, além dos imprevistos que acontecem diariamente em uma indústria.

Essas inúmeras ações fazem com que os responsáveis pela gestão do controle de qualidade na indústria de alimentos se percam nos prazos planejados e deixem muitas atividades e processos desatualizados.

O mais comum de encontrar por aí, são empresas correndo atrás do prejuízo nas vésperas de uma auditoria ou visita de um órgão fiscalizador.

E isso impacta diretamente na motivação das pessoas envolvidas (qualidade, produção e gestão) e na produtividade de cada um. Estou falando daquela sensação de não possuir o controle sobre os processos ou o sentimento de não conseguir fazer com que isso funcione no dia a dia da empresa.

 

E sabe por que isso acontece?

 

A área da gestão da qualidade envolve um conhecimento global de toda a indústria. É a área que monitora a execução de atividades em todos os setores. Atividades essas que possuem periodicidade definida para execução, registros, validade e necessidade contínua de revisão.

Imagina a quantidade de controles gerados diariamente? Realmente não é muito difícil perder o controle da situação.

E geralmente a pessoa ou pessoas responsáveis por essa área acumulam outras funções diárias, o que faz com que os controles rotineiros muitas vezes sejam deixados de lado para a resolução de urgências que surgem todos os dias.

Dentro desse contexto, muitas vezes o planejamento não existe, e começa aquele processo de “apagar incêndio” que se repete todos os dias.

A organização se perde no tempo, e a desordem fica generalizada.

Mas vamos lá…

Se a confusão já está instalada está na hora de mudar esse cenário. Por isso hoje quero dar destaque a 1 ação importante que deve acontecer no dia a dia de uma indústria de alimentos.

Vou mostrar como organizar a gestão dessa ação e planejá-la de forma a auxiliar que os controles não se percam na correria da produção.

Vou falar sobre o controle de análises laboratoriais!

 

Controle de análises laboratoriais

 

Sabe-se que uma indústria de alimentos necessita realizar inúmeras análises para a garantia da qualidade e segurança de seus produtos. Essas análises podem ser internas ou externas.

A decisão de qual análise realizar dependerá de legislações específicas ou exigências de clientes.

Faça pesquisas e busque as legislações específicas do produto em questão. Entre no site do ministério da agricultura e no site da ANVISA e faça uma busca nas legislações relacionadas.

MAPA: http://sistemasweb.agricultura.gov.br/sislegis/action/detalhaAto.do?method=abreLegislacaoFederal&chave=50674&tipoLegis=A

ANVISA: http://portal.anvisa.gov.br/legislacao#/

Além das legislações específicas, há outras que você precisa conhecer e pesquisar também.

Vou citá-las abaixo:

  • RDC N° 14, DE 28 DE MARÇO DE 2014, que dispõe sobre matérias estranhas macroscópicas e microscópicas em alimentos e bebidas, seus limites de tolerância e dá outras providências.
  • Resolução RDC nº 12, de 02 de janeiro de 2001, que aprova o Regulamento Técnico sobre padrões microbiológicos para alimentos.
  • RDC nº 07, de 18 de fevereiro de 2011, que dispõe sobre limites máximos tolerados (LMT) para micotoxinas em alimentos.
  • RDC nº 42, de 29 de agosto de 2013, que dispõe sobre o Regulamento Técnico MERCOSUL sobre limites máximos de Contaminantes Inorgânicos em Alimentos.

De qualquer forma, você precisará fazer uma lista com todos os produtos da sua empresa, sejam eles finais ou intermediários de processo, e listar todas as análises que são realizadas, sejam elas microbiológicas, químicas, físico-químicas ou sensoriais.

 

Veja quais passos seguir

 

01) Monte um planejamento de análises por produtos e produtos intermediários da seguinte forma:

Faça uma tabela com as seguintes colunas para você organizar essas informações:

> Produtos ou produtos intermediários do processo
> Análise Realizada
> Classe de análise (se é micro, sensorial, etc.)
> Quando?
> Responsável (laboratório externo ou função de colaborador interno da empresa)
 

02) Faça o registro dos resultados

As análises internas, realizadas pelo controle de qualidade, devem apresentar laudos internos estabelecidos pela própria empresa. As análises externas devem ser validadas pela área da qualidade a partir da análise de seu certificado.

Veja um exemplo de validação de laudos externos (monte uma tabela com essas colunas):

> Produtos ou produtos intermediários do processo
> Análise Realizada
> Resultado
> Aprovado ou reprovado?
> Responsável (área da qualidade)


Outra informação importante é que as análises que impactam em risco do produto final devem ser realizadas em laboratórios certificados na norma ABNT NBR ISO/IEC 17025.

Lembre-se que o responsável por validar as análises externas é a empresa por meio da sua área da qualidade. Não é função do laboratório externo, emitir parecer de aprovado ou reprovado.

Então fique atento na hora de pesquisar os laboratórios.
E claro que além do certificado, você precisa exigir o escopo da certificação do laboratório.
 

03) Armazene os registros de forma que sejam rastreáveis

Essas informações precisam estar localizadas de forma organizada para que quando houver a necessidade de resgatá-las isso possa acontecer de forma tranquila.  

Agora que você aprendeu como colocar em prática o controle de análises laboratoriais, quero fazer um convite! 
 
Recentemente preparei uma PALESTRA com o seguinte tema: Como Realizar o Controle da Calibração. Se este assunto interessa a você, é só clicar aqui para assistir ou na imagem abaixo.
 

Samira Luana de Paula
Samira Luana de Paula

Fundadora da Lifequaly, uma empresa de consultoria em Gestão da Segurança de Alimentos para as Indústrias. Já atendeu mais de 50 empresas na implantação de normas e preparação para auditorias de certificação. Possui diversos cursos online para atender os profissionais que atuam na área da qualidade e industrial.